O mês de março é marcado pela campanha Março Lilás, dedicada à conscientização e prevenção do câncer do colo do útero, um dos tipos de câncer mais incidentes (3º câncer mais comum) e a 4ª causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. A mobilização ganhou força no país a partir da década de 2010, ampliando ações educativas e reforçando a importância do diagnóstico precoce e da vacinação contra o HPV.
O câncer do colo do útero está diretamente relacionado à infecção persistente pelo HPV, Papilomavírus Humano, vírus sexualmente transmissível bastante comum. Ele possui mais de 200 tipos e, embora muitos não causem câncer, dois deles, os tipos 16 e 18, são responsáveis por cerca de 70% dos casos da doença no país, segundo estudo do Governo Federal, o que reforça o papel da vacinação como estratégia central de prevenção.
De acordo com Marcel Hisano, médico ginecologista e docente IDOMED, Instituto de Educação Médica, a prevenção é simples e altamente eficaz quando feita de forma regular. “Estamos falando de um câncer que pode ser evitado através de vacina e que tem grandes chances de cura quando diagnosticada precocemente. O exame preventivo é uma ferramenta fundamental nesse processo”, destaca.
Quando é preciso começar a se preocupar?
A recomendação do Ministério da Saúde é que mulheres entre 25 e 64 anos, que já tenham iniciado a vida sexual, realizem o exame preventivo, conhecido como Papanicolau. Após dois exames anuais consecutivos com resultado normal, o intervalo pode passar a ser de três em três anos, conforme orientação médica. Em 2024 a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) aprovou a incorporação do teste de HPV-DNA ao SUS, exame este que consegue detectar a presença do vírus na paciente possibilitando um cuidado mais direcionado nas portadoras deste agente e de uma frequência menor de coleta de exames para as pacientes com resultado negativo.
A vacinação contra o HPV é indicada prioritariamente para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual, fase em que a resposta imunológica é mais eficaz e que há menor probabilidade de ter entrado em contato com o vírus. Adultos também podem se vacinar, mediante avaliação profissional.
Formas de prevenção
Entre as principais medidas preventivas estão:
- Vacinação contra o HPV
- Realização periódica do exame Papanicolau
- Uso de preservativo nas relações sexuais
- Acompanhamento ginecológico regular
Além disso, manter hábitos de vida saudáveis e não abandonar consultas de rotina contribui para o cuidado integral com a saúde da mulher.
Para Dr. Marcel, a informação ainda é a principal aliada no enfrentamento da doença. “Muitas mulheres procuram atendimento apenas quando surgem sintomas, mas o câncer do colo do útero pode levar anos para apresentar sinais. Por isso, o acompanhamento regular é essencial”, reforça.
O medo também precisa ser enfrentado
Embora as orientações médicas sejam amplamente divulgadas, aspectos emocionais ainda representam um obstáculo significativo para muitas mulheres. Vergonha, insegurança, ansiedade e o receio de um possível diagnóstico positivo fazem com que o exame preventivo seja adiado ou até evitado.
Para Andresa Souza, professora de Psicologia da Estácio, esse comportamento está diretamente ligado à forma como lidamos com situações que envolvem incerteza e vulnerabilidade. “Quando o medo se instala, é comum que a pessoa adote estratégias de esquiva, acreditando que, ao não realizar o exame, estará afastando o problema. Psicologicamente, isso funciona como um alívio momentâneo, mas pode trazer consequências mais graves a longo prazo”, explica.
Segundo a docente, enfrentar o medo é parte fundamental do cuidado com a saúde. “Buscar informação confiável, conversar com profissionais de saúde e compreender que o exame preventivo é uma atitude de responsabilidade consigo mesma ajudam a reduzir a ansiedade. O autocuidado não deve ser associado à culpa ou punição, mas à proteção e ao amor-próprio”, afirma.
Ela destaca ainda que campanhas como o Março Lilás também têm um papel emocional importante. “Quando o tema é tratado de forma aberta e acolhedora, diminuímos o estigma e fortalecemos a coragem para que mais mulheres priorizem sua saúde”, conclui.